10 de nov de 2012

O Tempo


Como poderíamos definir o Tempo?

Já ouvir dizer numa dessas parábolas que rola na Internet, que seria uma Conta Bancária onde todo santo dia é creditado uma quantidade de horas e usando-as ou não, a zero hora essa conta é zerada sem deixar crédito nem débito.

Definir o Tempo é algo relativo a quem irá responder.

Se perguntado a uma criança talvez respondesse: “É a distância grande que fica entre as férias de julho e de dezembro, ou é o negócio pequeno que quando acaba, acabam as férias”. Ou ainda, é uma distância grande que quando terminamos de percorrê-la poderemos sair de casa sem pedir aos nossos Pais.


Um Idoso poderia responder: “É uma missão que a cumprindo ou não ela chega ao fim”. É o nosso maior inimigo que leva a energia da juventude sem nossa permissão e percepção, e nos transforma em dependentes, inválidos, esquecidos e motivo de piadas pra muitos.
É um viajante que passa por todos notificando que a partir de agora não atendemos apenas pelo nosso nome e também podemos ser chamados de vô, vó, velho (a) ou coroa.


Um Presidiário poderia responder que seria também seu inimigo, que nunca morre que parece não ter fim, que andou de mãos dadas comigo e que eu em algum momento eu o maltratei.


Um Viciado talvez nunca o conheceu, talvez pense que ele nunca existiu, mas que de repente ele aparece cobrando uma prestação de contas tamanha que só poderá ser pago com a vida.


Para um Atleta tem um valor de ouro ou talvez seja até mais valioso, minutos, segundos ou milésimos de segundo valem por anos de preparação.

Para um Empresário é sempre curto, insuficiente para seus projetos, achando nunca ter fim, é usado de formas diversas, com tudo e com todos, menos com a família e consigo.

Para os Pais parece ser câmera lenta, quando seus filhos não crescem, ainda não foram para escola, etc. E quando menos espera ele passa rápido, sem perceber e daí vemos que ele foi nada mais nada menos do que uma “fenda para olhos” para o presente, com uma brecha onde estamos enxergando o passado e o futuro.

Para os Amantes é esperado quando apaixonados, parece não existir, parar quando estamos ao lado da pessoa que amamos, mas que dói na separação, mesmo sendo apenas alguns minutos.

Para os Desamados, para esses tem cheiro de veneno, sabor de morte, cor de tristeza, tem cara de intruso. Existem aqueles que os vê como remédio, esperando que cure todas as doenças da alma, creditando a ele a esperança de que tudo ficará certo, redondo. E esquecemos que o tempo já tem tarefas demais para fazer as nossas. Esquecemos que as falhas são nossas e temos que resolvê-las, mudando atitudes, sendo humildes, pedindo perdão e perdoando e não o Tempo.
O Tempo nesse caso nada mais é do que a porta do Hospital onde nós Pacientes, devemos com nossos próprios pés, entrar, buscar a especialidade que estamos precisando e tratarmo-nos. E não um simples remédio, uma poção mágica, uma varinha de condão que resolve tudo com um simples toque.

Poderia passar o dia mostrando as várias faces do tempo para cada Personagem diferente. E talvez ele mesmo não gostasse de minha ousadia e me levasse por ter eu entrado em sua vida, bisbilhotando e falando dele aos quatro quanto do mundo.

Mas o Tempo nada mais é do que “O Tempo”: uma palavra dissílaba, paroxítona, um substantivo abstrato do sexo masculino.
Uma palavra que muda qualquer oração, qualquer período, texto, poema, livro, etc.
Um Substantivo que tem cara de Sujeito, que nunca será verbo, pois não poderemos conjugá-lo ao nosso próprio tempo.
É conta que nunca fecha, nunca resolvida por uma regra de três, seja ela simples ou composta, ou até mesmo pela fórmula de bhaskara.
Nunca teremos uma taxa efetiva ou nominal que calcule seu montante, ou simplesmente seus juros.

Ingrediente de muitas Teorias, e nunca prisioneiro, ao controle de algo ou de alguém, é livre, sem precisar de Desembargadores, Juízes, Habeas Corpus, Tribunais, Recursos, etc.

Pode ser companheiro, conselheiro, seu maior cobrador, ou seu maior inimigo.

É camaleão que se disfarça quando preciso.

É água que aonde chega toma forma.

Terá vários conceitos, várias faces, valores, enfim.

Mas uma coisa é absoluta: ele nunca deixará de existir, querendo ou não.
Até quando o homenageamos que poderíamos ser poupados de usá-lo, pois nesse caso a vantagem foi para ele, não tem jeito, nem na sua própria homenagem.
A prova disso é que aqui na Av. Visconde Suassuna, no Jardim do SENAC as 06h31minh para fazer esse Artigo tive um débito de preciosos 43 minutos no dia 10 de novembro de 2012.

Assim é O TEMPO.